Ácidos Graxos Poliinsaturados Ômega-3 (EPA e DHA): 5 Dicas de Como e Quanto Suplementar

Como e quanto de ômega-3 suplementar?

        Ácidos graxos ômega-3 (AG n-3) são nutrientes que, se em determinadas quantidades no organismo, produzem efeito antiinflamatório a partir de uma modulação da inflamação. É por essa razão que eles podem ser suplementados em diversas condições clínicas, como dermatopatias e enteropatias inflamatórias (p. ex. atopia e doença inflamatória intestinal), cardiopatias, doença renal crônica, osteoartrites, hiperlipidemia e neoplasias.
        O EPA (ácido eicosapentaenoico) e DHA (ácido docosahexaenoico) são os ácidos graxos poliinsaturados da série ômega-3 de maior relevância clínica para cães e gatos e estão presentes em grandes quantidades no óleo de peixes marinhos.
  • 1ª Dica: Ter em mente que ômega-3 é uma família composta por seis ácidos graxos, mas apenas o EPA e DHA possuem efeitos terapêuticos e que, para estes serem sintetizados pelo organismo animal, é necessária a presença de um precursor vegetal, o ALA (ácida alfa-linolênico).
  • 2ª Dica: Certificar-se de que o suplemento de escolha foi fabricado à base de óleo de peixe e não de óleo de linhaça ou outros óleos vegetais: os óleos vegetais ricos em AG n-3 possuem apenas o ALA e cães e gatos não fazem sua conversão em EPA e DHA de forma eficiente.
Considerando essas duas primeiras dicas, é com base no artigo abaixo que determino como e quanto de ômega-3 vou suplementar para os meus pacientes:
        Com dezenas de publicações, John E. Bauer é o autor que mais pesquisa sobre metabolismo e necessidades de ácidos graxos e lipídeos para cães e gatos. Ele vem estudando os efeitos terapêuticos do EPA e DHA em pequenos animais desde 1991. 
        Como os experimentos clínicos que avaliam o uso do EPA e DHA nas diferentes patologias utilizam doses diversas, Bauer compilou as doses que trouxeram efeitos terapêuticos para cada condição clínica e as resumiu em apenas uma dose média baseada não no peso corporal, mas no peso metabólico* (parcela do peso corporal que realmente importa para as necessidades nutricionais). Além disso, esta dose média não ultrapassa o limite superior de segurança determinado pelo NRC (2006), lembrando que a superdosagem de EPA e DHA pode produzir efeitos adversos mais comuns como vômito e diarreia e menos comuns como ganho de peso indesejável, redução da atividade e agregação plaquetária, atraso na cicatrização de feridas, alteração da função imune, aumento da peroxidação lipídica com maior formação de radicais livres, aumento da exposição à intoxicação por metais pesados e interações nutriente-medicamentosas (p. ex. com aspirina e clopidogrel).
*Peso Metabólico= PC0,75 (para cães) PC0,67 (para gatos).
  • 3ª Dica: Atestar-se de que para cada condição clínica é necessária uma dose diferente de EPA e DHA para produzir efeito terapêutico.
  • 4ª Dica: Escolher o suplemento comercial e determinar a quantidade de cápsulas a serem administradas, não pela concentração de óleo de peixe em si (500, 1000 ou 1500 mg), mas pela concentração de EPA e DHA que o suplemento possui (a qual está disponível no rótulo do suplemento).
Por exemplo: Se suplementarmos um cão de 10 kg de peso corporal, utilizando a dose clássica de óleo de peixe/ômega-3 de 1g/5kgPC e um suplemento comercial com [260 mg EPA + 170 mg DHA]/cápsula (p. ex. Ograx-3 de 1000 mg), será possível atingir a dose terapêutica se o cão for doente renal crônico, por exemplo. 
            dose calculada de óleo de peixe: 2000 mg (2 cápsulas)
            dose calculada de EPA+DHA: 860 mg
            dose calculada recomendada para cão com DRC (Bauer, 2011): 787 mg
            % de atendimento: 109% (ou seja, até sobra EPA+DHA para este cão)
Mas se quisermos um efeito antiinflamatório específico para osteoartrite:
            dose calculada de óleo de peixe: 2000 mg (2 cápsulas)
            dose calculada de EPA+DHA: 860 mg
            dose calculada recomendada para cão com osteoartrite (Bauer, 2011): 1743 mg
            % de atendimento: 49% (ou seja, nem metade da dose terapêutica)
Portanto, para um cão de 10kg com osteoartrite que vai consumir o Ograx-3 1000, deve-se prescrever o dobro da dose clássica de óleo de peixe (4 cápsulas) para atingir o efeito desejado.
        Obs.: Isso vale para suplementos com boas concentrações de EPA e DHA. Suplementos que têm baixa concentração desses ácidos graxos, o número de cápsulas torna-se inviável (por esta outra razão que também é importante verificar a [EPA+DHA] dos suplementos comerciais antes de prescrevê-los).
  • 5ª Dica: Verificar se a ingestão de EPA e DHA não ultrapassa o limite superior de segurança determinado pelo NRC (2006). Para isso, é necessário verificar a quantidade desses nutrientes na dieta que o animal está consumindo (se for dieta caseira, questionar o profissional que formulou; se for dieta comercial, verificar no rótulo da ração). Normalmente, as dietas comerciais que têm AG n-3 na fórmula apresentam uma quantidade de 0,03% a 2,5% desses nutrientes; devemos nos preocupar com altas doses quando o paciente consome ou irá consumir uma dieta com >2,5% de AG n-3. 
        Para finalizar, considerando essas dicas abordadas aqui, é possível sim realizar uma suplementação adequada de ômega-3 que realmente faça o efeito desejado em cada doença específica.
        Se quiserem saber um pouco mais sobre ácidos graxos (algum aprofundamento dos tópicos abordados) ou se quiserem adicionar mais dicas sobre este tema, fiquem à vontade em compartilhar nos comentários!

Até a próxima! :*

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